CANTO DA ANA

Vivências e crenças da Ana

No meu refúgio

domingo, 4 de março de 2012

Hoje fui à praia sozinha. Não seria lá um dos programas mais divertidos para se fazer sozinho. Mas hoje não fiz questão de companhia melhor que a minha mesma e eu estava precisando ficar mais comigo além da cama, onde paro para me dar um pouco de atenção na hora de dormir.

Meio-dia, sol a pino, alguns poucos gatos pingados espalhados por aquela imensidão de areia na orla do oceano. Pensei que ia me sentir sozinha e iria embora em pouco tempo. Doce engano! Entrei na casa de Iemanjá meio temerosa com suas ondas sempre agitadas, mas por alguns minutos ela me deixou mergulhar e me temperar do seu sal sagrado. Senti meu corpo mais leve e me deixei jogar na cadeira, diante de um calor que me acolheu com suaves brisas que traziam respingos frescos do mar. Nem senti o sol dourar minha pele.

Fiquei por muito tempo meditando diante daqueles contrastes de cores: o mar azul-esverdeado com suas espumas brancas correndo e voltando na areia que cintilava devido aos raios de sol. Sobre tudo isso, nos olhando de cima, um céu intensamente azul, com algumas manchas brancas que mais pareciam massa corrida quase seca sendo alisada numa parece de fundo colorido. Isso assim por uns minutos porque logo as nuvens formavam ondas como se o mar tivesse subido. E ao fundo um veleiro que sumiu na “poeira” que o mar lançava para o céu nevoando todo o lugar.

O barulho do mar me fez desligar por alguns momentos, sentia como se as ondas estivessem entrando no meu corpo e saindo com as coisas que não conseguem se equilibrar dentro de mim.

Adoro a praia do Dentinho. Esta foi a segunda experiência divina que tive lá. A experiência de sentir em mim a natureza, me sentir realmente como parte daquilo tudo, com a mesma proporção de importância. E sem fumar qualquer baseado pois não me baseio nisso para viajar.

Pensei pouco na vida. Bem menos do que planejava na estrada indo para lá. Pensei em quase nada. O que me fez muito bem, muito leve e muito feliz.

Voltei para casa renovada. Sem peso na consciência por não te-la usado muito. Sem a preguiça que a praia me causa e sem a ardência que a queimadura de sol provoca. Melhor ainda: voltei certa de ter encontrado meu refúgio, lugar onde cada um tem de ter fora da gente para encontrar a gente mesmo, quando se deixa levar desequilibrado por uma onda.

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2 Comentários »

  1. Comentário por Marcia Fernandes — domingo, 4 de março de 2012 (13:06:40)

    Que lindo, Paula!….Nunca fui ao Dentinho….rs…bj

  2. Comentário por Claudia — domingo, 4 de março de 2012 (22:56:25)

    Amiga, ás vezes, quase sempre, é ótimo estar em nossa companhia, fazemos resgates e procuramos dentro de nós, situações que nos fazem ser pessoas melhores e descobrir o que não gostamos… a fim de resgatar tudo isso e transformar em nosso próprio benefício. Gostei! bjim

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